
Onde parar?
Eu sei que o ser humano anda um pouco estranho.
Muitos já perderam seus valores, outros já não acredita mais.
Alguns ainda lutam para acreditar que existe, outros já não
sabe mais quem foi no fim da noite.
É... Realmente isso não é tão gratificante.
O mundo.
Esses dias andei um pouco calado com amigos, pessoas intimas e etc.
Em uma dessas tarde repleta de luz solar, vinha ali, calmo, sutil,
escultando um som qualquer quando o sinal se faz vermelho.
Paro, puxo o "freio de mão", baixei um pouco meu vidro e derrepente
uma dimensão de reflexões me vem a tona.
Tantas pessoas já não tem aquele sorrido de amanhecer mais um dia.
E parado ali no sinal fiquei, e fiquei...
Olhando a diversidade de carros, uns do ano, outros classe "C".
Um com o som extremamente sem educação e respeito ao ambiente público;
Ao lado outro ao celular discutindo o local de se divertir a noite.
Alguém indo correndo ao trabalho, para sustentar sua família honestamente.
E um, ali perdido... Por alguns instantes fora do planeta Terra.
Quando acordei, um batalhão de buzinas atrás de mim.
O sinal abriu, ainda continuei ali parado por alguns instantes
até que começaram a tomar alguma atitude activa, me ultrapassando
e lógico, denominando a minha inocente mãe diante dessa situação, de
diversos adjectivos e substantivos "Ninfomicos", alguns que nem sabia o
que significava na integra.
Fiquei um pouco anestesiado.
Por um segundo vi o quanto era grande a guerra apenas para ganhar um
segundo de vantagem, todos com algum motivo maior, que para cada
faz sentido a ponto de denominar minha linda mãe de sinônimos sexuais.
O play do som, precisava chegar o mais rápido no carro do ano do seu
papai, para dá aquele sorriso vazio para garotinhas que ainda acredita
que sua vaidade é o amor.
O cara do celular precisava ir pegar grana no banco pois se não seu programa
ainda não confirmado para a noite, tem possibilidade de não se concretizar.
O trabalhador honesto precisava ser o primeiro a chegar pois seu tempo é
dinheiro que traz, segurança, educação, lazer, conforto entre outros itens,
para sua família.
E eu?
Onde eu teria que ir correndo assim?
Preciso de toda essa velocidade para algo que sei que terei?
Será que eles sabem?
A velocidade é para ganhar mais, como uma criança no parque de diversões
que não desperdiça nenhum segundo?
Ou para não perder sua honesta reacção?
Tudo era tanto que parecia muito pouco para minha visão.
Com a calma de um guitarrista de blues, fui por ai, parando em muitos
semáforos, descobrindo os meus caminhos.
As vezes esqueço quem sou para poder criar quem amanhã não deixará de
existir, quando percebo a noite engole mais um dia e eu fiquei aqui.
E eu fiquei aqui...
Qual a lógica deles?
Carlos Henrique.
5 comentários:
Tão profundo...
um dos melhores textos que você já escreveu, se não o melhor.
beijos
Ê mundo.
Palavras pequenas q se perdem.
Gestos sublimes q se escondem.
Quem eis tu, o pequeno imperador.
Que numa noite sombria escondeste no clarão do sol?
Quem é o libertado que na seca morreste numa tempestade?
Só sei que na aurora fluorastes.
Que mesmo nesta sofreu, o sufrágio de meias como num céu sem fim..
É simplesmente a vida, esta que sempre desemboca no início de um novo caminho.
São as palavras que saem d nós como brasas e desmantelam o nosso olhar. É triste imaginar q sempre somos assim..pessoas q vivem a correr. Vivem, mas n vivem. Quando sera que vamos parar e começar a viver??
E fui lendo...lendo...
E so uma pergunta!
Onde vamos parar nesse turbilhão?
Lindo texto CH, vc me surpreende cada vez mais!
Hummmm...outra anônimo na parada!!!
Uma reflexão surpriendentemente simples sobre uma parte de um mundo tão complexo,se bem que essa parte resume el muito!!^^
Gostei muito...
sinta-se beijado e abraçado.
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