Viva os Direitos Humanos.
A declaração feita há 60 anos atrás seria tecnicamente perfeita se seres humanos viessem com manual de instrução. Porém cada um de nós tem suas particularidades, experiências de vida, formação, caráter, personalidade e interesses diferentes. A complexidade humana é matéria prima para milhares de teorias filosóficas e sócio-políticas desde antes de Cristo. Cada corrente abordará com suas particularidades os assuntos que cercam nossa existência e discordâncias farão com que cada vez mais busquemos uma possível solução em comum para todos.
É utópico?
Parece impossível?
Pode ser, mas não significa que tenhamos de abrir mão de nossas lutas.
Bakunin, pensador anarquista a meu ver já havia escrito a base que sustenta a Declaração dos direitos humanos quando explana “Ser livre, para o homem, significa ser reconhecido, considerado e tratado como tal por um outro homem, por todos os homens que o circundam. A liberdade não é, pois, um fato de isolamento, mas de reflexão mútua, não de exclusão, mas de ligação; a liberdade de todo indivíduo é entendida apenas como reflexão sobre sua humanidade ou sobre seu direito humano na consciência de todos os homens livres, seus irmãos, seus semelhantes.
(...) Só sou verdadeiramente livre quando todos os seres humanos que me cercam, homens e mulheres, são igualmente livres.”
Não tenho de memória qualquer passagem dessa importante declaração. Também não vou recorrer aos sites de busca e de pesquisa para copiar e colar neste texto palavras bonitas que são exaltadas por alguns, contestada por outros e pouco praticada pela grande maioria. Estamos vivendo uma era onde o individualismo é a armadura que nos protege do avassalador desejo de conquistar e acumular bens materiais. O consumismo exagerado e todos os estímulos a qual a sociedade se sujeita torna o pensamento umbilical o pilar para se movimentar diante de tantos desafios e cobranças. Estamos desequilibrados e totalmente perdidos em meio a um mar de suposições e possibilidades. O cada um por si nosso de cada dia vai pavimentando o terreno onde as futuras gerações caminharão. Ignoramos que estamos todos conectados e que o reflexo de nossas ações repercutirá nas conseqüências que vivenciaremos em sociedade.
É mais cômodo virar as costas. É menos angustiante se preocupar com o próximo se tenho tudo que preciso ou se a tragédia ainda não bateu à minha porta. É mais fácil apontar o dedo e dizer que de nada adianta lutar contra as desigualdades e injustiças que esfregam em nossas faces diariamente. Infelizmente tendemos a nos acostumar com tudo, inclusive com a banalização da violência e desrespeito aos direitos básicos do cidadão.
Todos temos uma opinião com relação a políticas públicas que poderiam solucionar os problemas mais graves. Todos sabemos quais são passos que devem ser dados, mas não fazemos, não cobramos e depois cinicamente reagimos com indignação.
A prevenção não é uma palavra importante no Brasil. Somos uma sociedade reativa. Esperamos o espetáculo de horrores acontecer ante nossas retinas para que posteriormente possamos tomar alguma atitude. Tudo isso pode ajudar na percepção do quanto estamos atrasados em relação a países que almejamos ser.
Culturalmente somos dominados e esquartejados em interesses que não correspondem a nossa realidade. A cultura é o principal instrumento de dominação de um povo. Talvez mais importante até do que a economia. Se seguirmos o seguinte raciocínio poderemos concluir essa reflexão: os valores culturais estão diretamente ligados com o comportamento do cidadão e com seus desejos e sonhos. O que recebemos como referências culturais em geral e principalmente nas grandes metrópoles são conceitos vendidos por estrangeiros. Temos a cultura estrangeira irraigada em nosso cotidiano e os estímulos que recebemos são muito mais relacionados com o “sonho” deles do que com as características de nossa própria raiz cultural. Isso faz com que desejemos ser como eles, consumir o que eles consomem, vestir o que eles vestem, cantar o que eles cantam e por fim ser quem eles são. Essa é a maneira mais eficaz de se controlar um povo. Todos os exploradores em todos os períodos da história da humanidade, ao escravizar um povo visavam seu primeiro golpe no pilar principal, a cultura.
O que isso tem a ver com diretos humanos?
Absolutamente tudo.
Na teoria temos uma Declaração maravilhosamente bem escrita, porém não conseguimos colocá-la em prática. Culturalmente temos mais aptidão para sermos público espectador do que ativistas e isso se reflete em todos os setores.
Sem mobilização não conseguiremos oferecer 10% dessas condições e sabemos que no Brasil temos o agravante de ligar Direitos Humanos à proteção a bandidos. Um grande equívoco vendido por quem gosta de confundir ainda mais a cabeça já esquizofrênica do Brasileiro.
Esse documento deve ser levado como meta e não apenas como símbolo de exaltação das belas expressões e frases de efeito que gostamos de sustentar em diálogos estéreis.
É necessário um comprometimento das autoridades, mas principalmente dos mais interessados que isso venha a acontecer, ou seja, nós mesmos.
Nestas datas que usamos para lembrar a todos que existem direitos humanos precisamos nos conscientizar que também existem deveres humanos e nós não estamos usando o mesmo peso na balança.
Para nossos filhos e netos deixaremos apenas papéis?
Precisamos pensar em ações.
sábado, 13 de dezembro de 2008
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